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História Daninha

Quando sentimos a necessidade de ter um espaço para experimentações de um modo de vida mais libertário, pensamos que uma casa com quintal e horta seria um caminho. Já tínhamos preocupações e lutas ligadas à ecologia, à produção autônoma e à ajuda mútua. Escolhemos a casa que viria ser a Lagartixa Preta “Malagueña Salerosa” por este motivo: um lugar para plantio no meio urbano.

Quando alugamos a casa, a quantidade de entulho no quintal era muito grande. Chegamos a retirar duas caçambas de concreto, tijolos, pedras e outros objetos inusitados. Também encontramos uma diversidade de ervas “daninhas”. Soubemos que uma das antigas proprietárias cultivava ervas medicinais no local.

Durante muito tempo alternávamos duas atitudes em relação a nossa área verde. Ora limpávamos todo o terreno, deixando o solo à mostra e plantando algumas sementes e mudas de árvores; ora deixávamos o “mato” crescer livremente julgando que isso seria uma forma de cultivo mais ecológica.

A partir de nossa relação com o coletivo Erva Daninha, passamos a ter maior conhecimento das plantas espontâneas que crescem na cidade, no nosso bairro e no nosso terreno. Assim nossa atitude mudou um pouco e passamos a tratar as ervas “daninhas” com maior respeito. Muitas delas podem servir como alimentos (serralha, major-gomes, caruru, orapronobilis etc.), outras têm poder medicinal (confrei, tansagem, erva-de-santa-maria, quebra-pedra etc.).

Sentindo falta de maior conhecimento sobre agricultura, alguns membros do coletivo buscaram aprendizado na área, fazendo cursos de permacultura, convivendo com pessoas do campo, recuperando conhecimentos antigos (da infância, de pais e avós etc.) e também através de livros.

A partir daí, o coletivo realizou diversos mutirões e encontros buscando intercambiar conhecimentos através de atividades práticas e gratuitas. Foi assim que, pouco a pouco, nosso quintal e também parcialmente nosso entorno na rua e no bairro foi tomando a atual feição.

Fizemos reconhecimento e coleta de plantas espontâneas na vizinhança e começamos a plantar algumas mudas de árvores nas calçadas. Nesse momento, um grande empreendimento imobiliário do bairro, sentido-se pressionado com nossas atividades, começou uma campanha de arborização juntamente com a prefeitura e acabou por retirar ou engaiolar algumas das mudas que tínhamos plantado.


Política agroecológica

Vemos nossa relação com a agroecologia como fundamentalmente política. Isso envolve a crítica a uma lógica de produção desenvolvimentista que separa campo e cidade e trata a terra apenas como recurso natural e meio de produção. A modernidade tem sido uma história de transformação da agricultura em indústria capitalista que culminou na chamada “revolução verde”. Assim os conhecimentos ecologógicos bem como a diversidade da vida e outros modos de apropriação da terra (tradicionais, familiares, sistemas de reciprocidade e parceria) foram marginalizados em favor da monocultura, dos transgênicos e, em suma, do lucro mercantil e acumulador.

Buscando parcerias e formas de intercâmbio não-mercantis, entramos em contato com outros coletivos e pessoas ligados a agroecologia, permacultura, assentamentos e ocupações rurais e urbanos. Mantemos boas relações com indivíduos da Frente Anarquia e Natureza da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), o Quintal Orgânico de São Caetano do Sul, e o projeto Ciclovida.

Acreditamos que alternativas que já tem sido postas em prática, como bancos de sementes, intercâmbio de sementes criolas (sementes que não passaram por processos de industrialização e padronização, mantendo sua diversidade genética através de manejo e distribuição tradicionais), comunidades campesinas, hortas orgânicas comunitárias, utilização de áreas verdes nas cidades e experiências que conectam a agricultura com outros elementos da vida (terapia, socialização, questões de gênero etc.) são exemplos de lutas efetivas de libertação e transformação.


O Grupo de Estudos e Práticas de Agroecologia

Fazemos o planejamento e o manejo da horta e do banco de sementes, experimentos de farmácia viva e fitoterapia. Também doamos e aceitamos doações de mudas e sementes.

Estamos abertos a novos participantes e atividades.

Seja bem vind@!